A sobrevivência de qualquer espécie animal exige um suprimento contínuo de energia para o funcionamento fisiológico, apesar de o suprimento de alimentos ser intermitente. Essa necessidade foi suprida através de evolução de uma mecanismo destinado a armazenar a energia na forma de combustíveis, principalmente os triglicerídios da gordura, a partir dos quais pode ser rapidamente mobilizada. O mecanismo, controlado pelos denominados genes da frugalidade, representou uma vantagem óbvia par nosso ancestrais caçadores e agrícolas. Entretanto, nas sociedades afluentes que associam estilos de vida sedentários a um amplo suprimento de alimentos ricos em calorias, esse mecanismo tornou-se a causa de um problema médico crescente - a obesidade.
ANTECEDENTES
Há muito tempo, foi sugerido qe o corpo tinha um sistema homeostático para controlar a gordura corporal e que o SNC envolvido nesse controle. No início deste século, foi observado que paciente com lesão do hipotálamo tinham tendência a engordar. Na década de 1940, foi constatado que lesões isoladas no hipotálamo de roedores causavam obesidade. Em 1953, Kennedy propôs, baseando-se em exprerimentos realizados em ratos que o mecanismo homeostático sugerido existia de fato e envolveria um hormônio do tecido adiposo que atuaria sobre o hipotálamo. Hervey (1958) forneceu maiores evidências aos mostrar que a ablação do núcleo ventromedial do hipotálamo em um membro de um par parabiótico levou à morte do animal sem lesão por inanição. Sugeriu que, no animal que sofreu lesão (cuja alça normal de retroalimentação com o hipotálamo fora interrompida), o tecido adiposo estava liberando quantidades excessivas de um fator de "saciedade", que fez o animal parabionte ingerir menor quantidade de alimento. Os detalhes desse sistema homeostático estão somente comecando a ser esclarecidos, levando a maior compreensão do problema da obsidade.
DEFINIÇÃO DE OBESIDADE
A obesidad recebeu várias definições, como "excesso de gordura corporal" ou "peso corporalacima de 20% do peso ideal". Esses chavões nos deixam o problema de definir o que queremos dizer com " excesso" ou " ideal". Os nutricionistas conseguiram ter maior precisão, senão maior comprensão, ao definir uma nova unidade: o "índice de massa corporal" ou BMI (body mass index). O BMI refere-se ao peso corporal (Kg) dividido pelo quadrado da altura em metros. Trata-se de um método estritamente corelacionado à gordura corporal. As pessoas "sadias" possuem um BMI de 20-25. Os indivíduos com BMI de > 30 são considerados obesos.
COnsideraremos inicialmente os conhecimentos atuais acerca dos mecanismo homeostáticos que controlam o balaço energético e o BMI - obtidos de estudos experimentais em camundongos. A seuir, trataremos dos principais apectos da obesidade em termos de saúde e, a seguir, de sua fisiopatologia e dos possíveis agentes farmacológicos que podem ser utilizados no balanço energético depende da ingestão de alimentos, do armazenamento de energia na forma de gordura de gordura e do consumo de energia.
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